terça-feira, 31 de maio de 2011

Contra a obrigação de ser alegre

De onde surgiu essa obrigação tola que a sociedade nos impõe de estar sorrindo o tempo todo, feliz o tempo todo? Sempre rodeado de pessoas, interessantes ou não, não importa. Distribuindo sorrisos, abraços e beijos. Forçando conversas quando nada tem a se falar. Ou até tem a se falar, mas nada a se dizer (porque são duas coisas totalmente diferentes). Você tem que ir a festas, tem que estar sempre com vontade de dançar, pular, cantar, de onde veio isso?

Não, não sou uma chata anti-social. Sou muito alegre. Mas muitas vezes eu oscilo para o lado chato da coisa. Quero conversar com quem tenha coisas interessantes a dizer, seja divertido, uma companhia agradável. E no dia em que estiver disposta, porque não suporto forçar sorrisos. Tem dias que, enquanto todos estão na festa, minha única vontade é ficar em casa vendo um filminho, e isso não significa que eu estou depressiva. Aliás, muitas das vezes que faço isso estou muito bem comigo mesma.

E até porque, isso de ter que ser alegre o tempo todo é bem fútil! Posso ser feliz sem respirar efusividade e gritar aos quatro ventos que minha alegria é extrema. E estar acompanhada de mim mesma muitas vezes é a melhor coisa que eu faço. Não, não que eu seja egocêntrica, ou ache que não precise dos outros. Eu até preciso, mas não o tempo todo. Na verdade, isso de precisar o tempo todo é bem uma necessidade de quem quer completar o vazio de si mesmo. Por isso eu me cultivo, antes de tudo: meu amor próprio, minha aparência, meu conteúdo, meu eu.


domingo, 29 de maio de 2011

Quando beber é opção ( e não necessidade)


Antes que me julguem: não estou falando do vício do álcoolismo. Estou falando da bebida esporádica em festas, ao ir ao barzinho com amigos, coisas do tipo. Tudo que se torna frequente e vira vício, começa a comprometer a saúde, deve ser parado. Se você tiver amor próprio ou pessoas que ame e sofram com isso, ao menos.

Não, não virei uma alcoólatra, não mudei em função das pessoas que estão à minha volta e nem sou alguém que está defendendo uma idéia pra pagar de legal, liberal. Até porque passo mais de um mês sem beber e não sinto falta, meu comportamento definitivamente não é igual ao da maior parte das pessoas que convivo, e se um dia fiz questão de pagar de liberal, hoje não faço. Até porque meus pontos de vista espantariam se eu pudesse encontrar comigo mesma a 3 anos atrás. E sim, obviamente mudei. Mudanças fazem parte, são sinal de amadurecimento. Na minha adolescência, nunca segui os padrões considerados mais legais pelos outros. Não é agora, que sou uma jovem adulta (embora ainda soe estranho para mim mesma dizer isso, mas não há como fugir), que faria isso.

E quem era essa Juliane de três anos atrás? Entre outra coisas, pois obviamente não me limito a isso, eu era uma pessoa que estufava o peito ao dizer: “Não preciso beber para me divertir.” E isso não era uma mentira. Só que acontece que hoje bebo, pouco, muito, dependendo da ocasião e do meu estado de espírito. Não sou do tipo que dá vexames, embora já tenha pago algum mico aqui ou outro ali por conta disso. Mas no mais, conheço meus limites e bebo só o suficiente para me sentir bem. Ou não bebo, se no dia optar por isso.

Estou querendo dizer que não me orgulho mais de mim? Ou que hoje preciso beber para me divertir? Nenhum dos dois. Na verdade, eu descobri que beber não é sinônimo de precisar da bebida para se divertir. E portanto, não beber não é orgulho, é opção, não te faz mais livre. Pelo contrário. Dependendo da razão de você não beber, pode te prender na própria repressão.

Eu me sinto solta sim, sem bebida, em situações que eu esteja muito feliz e realmente queira. Mas não diga que é a mesma coisa que com a bebida se você não bebe. A bebida desinibe, te deixa solta, te faz sentir que pode quebrar os limites, se você quiser. E se você já quer quebrá-los, não culpe a bebida.

Beber ou não beber é opção. Quem nãobebe e apenas fica rindo da cara de quem está bebendo, acusando qualquer empolgação a mais de ser culpa de ele estar bêbado, e com aquela cara de repressão, quer se convencer que é o fodão. Quando na verdade, fazer isso apenas o faz se sentir melhor. Não libera suas tensões, suas energias, e não quer que os outros o façam também.

Quer saber? Quem não bebe, não quer beber, respeito totalmente. Só não me julgue pela minha opção de beber. Tenho valores, concepções, opiniões formadas. Bebida não é necessidade. Só que acontece que eu também preciso às vezes chutar o pau da barraca e lembrar que também sou humana. Desconstruir o meu mundo para depois reconstruí-lo, e não perder a razão por ter tanto juízo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Pop/rock/axé/rap/emo (você escolhe!) in Rio

Tudo bem que o Rock in Rio, mesmo com esse nome, raramente aconteça no Rio de Janeiro e por ser um grande festival de porte internacional, tenha bandas influentes no mundo atual, sem necessariamente ser Rock. Eu mesma, sou fã de Coldplay, embora muitos o aproximem mais do pop do que do rock (e eu até concordo para os dois últimos CD's, o Viva la Vida e o X&Y).
Mas alguém me explica qual a lógica desse festival? Ok, primeiro dia é dia do pop (23/09). Elton Jhonn, grande nome na história do pop mundial. Rihanna e Kate Perry, o auge do pop atual, com suas músicas tocando em todas as boates, academias e mp3 dos adolescentes. Mas CLÁUDIA LEITE??? O que uma cantora de axé faz aí?Não que suas letras sejam muito diferentes das outras duas cantoras, mas o gênero... Sem comparações. Axé é axé. Axé que toque em micaretas, em festivais de música nacional, ok. Mas no Rock in Rio, não dá.

Cláudia Leitte e sua guitarra! Uhuuu!!!

Dia 24/09, Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol, Capital Inicial, Stone Sour e... Nx Zero. Eu poderia passar horas discutindo da ofensa que é chamar essa banda de rock, mas às vista do exemplo anterior, "até que não tá tão horrível assim".
Dia 25/09, Metallica, Slipknot, Motörhead e Coheed and Cambria. Um dia descente, compatível com o evento.
Dia 30/09: Shakira (oi? dia do pop de novo?), Lenny Kravitz (mesmo comentário sobre Shakira), Ivete Sangalo (rever opinião sobre Cláudia Leite), Jota Quuest (ok, tá dentro da linha ainda) e Marcelo D2 (RAP????).


Agora, amigos, o motivo da minha maior revolta. Dia 01/10. Dia chamado pelos próprios organizadores de rock alternativo. Confirma Coldplay. Confirma Skank, uma banda nacional totalmente à altura, uma das melhores em atividade na minha humilde opinião. Meses e meses esperando confirmações. Você pensando em todas as bandas de rock alternativo do mundo que poderiam vir. Torcendo por algo do tipo Franz Ferdinand, The Strokes, Keane. Sonhando com um Radiohead (embora remotamente, pois ela seria a headline se tocasse, e esse "cargo" já estava atribuído ao Coldplay). Passa o tempo, confirma-se Frejat. Ok, mais duas na fila de espera. E agora, há mais ou menos meia hora, confirmam... Maná e Jay Z. Gente, rock alternativo não é música latina, porra!! Não é rap!!! E ainda, bandas esquecidas! Maná mal é lembrado, com uma meia dúzia de músicas conhecidas por causa das novelas da Globo (me desculpe quem gosta de Maná, e achar que eu sou desinformada. Eu SEI que ele tem mais músicas, que tem muitos fãs e tudo. Mas ele definitivamente não se destaca em nada musicalmente falando. São clichês. E isso me basta.) E Jay Z, um rapper... Normal. Nada em especial. Nenhuma grande crítica, nenhum grande histórico. (E quem vier defender que ele é ótimo e tem músicas maravilhosas, vale o mesmo argumento sobre Maná. Você pode até gostar, mas genial ou inovador ele não é. E nem me agrada.)



Último dia (02/10) , Pitty e Guns N'Roses por enquanto. Vamos esperar surpresas positivas. Embora elas estejam bem distantes, depois de tantas frustrações.
E que venha o festival!

Introspecção

Certa vez, fui num analista e ele me disse que eu precisava parar de procurar explicação pra tudo. Porque na verdade, eu mais sinto do que penso, mas a minha ânsia de sentir faz com que eu queira explicar tudo o que se passa comigo, o que sinto, o que penso. E as palavras nos dão uma chance de tentar organizar tudo direitinho, fazendo com que tudo sempre tenha um sentido. Mas acontece que elas são tão insuficientes que não explicam nada no fim das contas, e geralmente distorcem, confundem tudo, fazendo com que a gente pense que passou pelo que não passou e esqueça o que se passou de fato. Eu só quero vivenciar cada momento da minha vida e não deixar passar nenhum detalhe. Observar cada sorriso e cada ausência dele, cada olhar e cada desvio, cada estresse e cada calma, cada cheiro, cada gosto, cada som e cada silêncio, cada luz e cada sombra, e poder fechar os olhos e voltar pra qualquer momento, sem a necessidade de descrevê-lo. Assim, chegamos o mais próximo do real. Da essência. Do que importa.